Assim diz o SENHOR: O céu é o meu trono, e a terra o escabelo dos meus pés; que casa me edificaríeis vós? E qual seria o lugar do meu descanso? Porque a minha mão fez todas estas coisas, e assim todas elas foram feitas, diz o SENHOR; mas para esse olharei, para o pobre e abatido de espírito, e que treme da minha palavra. [Isaías 66: 1-2]
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Antigo Testamento (324 dias)
Almeida Revista e Atualizada: 153 de 324 dias
| Jó: 1 |
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| 1. Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal. |
| 2. Nasceram-lhe sete filhos e três filhas. |
| 3. Possuía sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas; era também mui numeroso o pessoal ao seu serviço, de maneira que este homem era o maior de todos os do Oriente. |
| 4. Seus filhos iam às casas uns dos outros e faziam banquetes, cada um por sua vez, e mandavam convidar as suas três irmãs a comerem e beberem com eles. |
| 5. Decorrido o turno de dias de seus banquetes, chamava Jó a seus filhos e os santificava; levantava-se de madrugada e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles, pois dizia: Talvez tenham pecado os meus filhos e blasfemado contra Deus em seu coração. Assim o fazia Jó continuamente. |
| 6. Num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o SENHOR, veio também Satanás entre eles. |
| 7. Então, perguntou o SENHOR a Satanás: Donde vens? Satanás respondeu ao SENHOR e disse: De rodear a terra e passear por ela. |
| 8. Perguntou ainda o SENHOR a Satanás: Observaste o meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desvia do mal. |
| 9. Então, respondeu Satanás ao SENHOR: Porventura, Jó debalde teme a Deus? |
| 10. Acaso, não o cercaste com sebe, a ele, a sua casa e a tudo quanto tem? A obra de suas mãos abençoaste, e os seus bens se multiplicaram na terra. |
| 11. Estende, porém, a mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e verás se não blasfema contra ti na tua face. |
| 12. Disse o SENHOR a Satanás: Eis que tudo quanto ele tem está em teu poder; somente contra ele não estendas a mão. E Satanás saiu da presença do SENHOR. |
| 13. Sucedeu um dia, em que seus filhos e suas filhas comiam e bebiam vinho na casa do irmão primogênito, |
| 14. que veio um mensageiro a Jó e lhe disse: Os bois lavravam, e as jumentas pasciam junto a eles; |
| 15. de repente, deram sobre eles os sabeus, e os levaram, e mataram aos servos a fio de espada; só eu escapei, para trazer-te a nova. |
| 16. Falava este ainda quando veio outro e disse: Fogo de Deus caiu do céu, e queimou as ovelhas e os servos, e os consumiu; só eu escapei, para trazer-te a nova. |
| 17. Falava este ainda quando veio outro e disse: Dividiram-se os caldeus em três bandos, deram sobre os camelos, os levaram e mataram aos servos a fio de espada; só eu escapei, para trazer-te a nova. |
| 18. Também este falava ainda quando veio outro e disse: Estando teus filhos e tuas filhas comendo e bebendo vinho, em casa do irmão primogênito, |
| 19. eis que se levantou grande vento do lado do deserto e deu nos quatro cantos da casa, a qual caiu sobre eles, e morreram; só eu escapei, para trazer-te a nova. |
| 20. Então, Jó se levantou, rasgou o seu manto, rapou a cabeça e lançou-se em terra e adorou; |
| 21. e disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei; o SENHOR o deu e o SENHOR o tomou; bendito seja o nome do SENHOR! |
| 22. Em tudo isto Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma. |
| Jó: 2 |
| 1. Num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o SENHOR, veio também Satanás entre eles apresentar-se perante o SENHOR. |
| 2. Então, o SENHOR disse a Satanás: Donde vens? Respondeu Satanás ao SENHOR e disse: De rodear a terra e passear por ela. |
| 3. Perguntou o SENHOR a Satanás: Observaste o meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desvia do mal. Ele conserva a sua integridade, embora me incitasses contra ele, para o consumir sem causa. |
| 4. Então, Satanás respondeu ao SENHOR: Pele por pele, e tudo quanto o homem tem dará pela sua vida. |
| 5. Estende, porém, a mão, toca-lhe nos ossos e na carne e verás se não blasfema contra ti na tua face. |
| 6. Disse o SENHOR a Satanás: Eis que ele está em teu poder; mas poupa-lhe a vida. |
| 7. Então, saiu Satanás da presença do SENHOR e feriu a Jó de tumores malignos, desde a planta do pé até ao alto da cabeça. |
| 8. Jó, sentado em cinza, tomou um caco para com ele raspar-se. |
| 9. Então, sua mulher lhe disse: Ainda conservas a tua integridade? Amaldiçoa a Deus e morre. |
| 10. Mas ele lhe respondeu: Falas como qualquer doida; temos recebido o bem de Deus e não receberíamos também o mal? Em tudo isto não pecou Jó com os seus lábios. |
| 11. Ouvindo, pois, três amigos de Jó todo este mal que lhe sobreviera, chegaram, cada um do seu lugar: Elifaz, o temanita, Bildade, o suíta, e Zofar, o naamatita; e combinaram ir juntamente condoer-se dele e consolá-lo. |
| 12. Levantando eles de longe os olhos e não o reconhecendo, ergueram a voz e choraram; e cada um, rasgando o seu manto, lançava pó ao ar sobre a cabeça. |
| 13. Sentaram-se com ele na terra, sete dias e sete noites; e nenhum lhe dizia palavra alguma, pois viam que a dor era muito grande. |
| Jó: 3 |
| 1. Depois disto, passou Jó a falar e amaldiçoou o seu dia natalício. |
| 2. Disse Jó: |
| 3. Pereça o dia em que nasci e a noite em que se disse: Foi concebido um homem! |
| 4. Converta-se aquele dia em trevas; e Deus, lá de cima, não tenha cuidado dele, nem resplandeça sobre ele a luz. |
| 5. Reclamem-no as trevas e a sombra de morte; habitem sobre ele nuvens; espante-o tudo o que pode enegrecer o dia. |
| 6. Aquela noite, que dela se apoderem densas trevas; não se regozije ela entre os dias do ano, não entre na conta dos meses. |
| 7. Seja estéril aquela noite, e dela sejam banidos os sons de júbilo. |
| 8. Amaldiçoem-na aqueles que sabem amaldiçoar o dia e sabem excitar o monstro marinho. |
| 9. Escureçam-se as estrelas do crepúsculo matutino dessa noite; que ela espere a luz, e a luz não venha; que não veja as pálpebras dos olhos da alva, |
| 10. pois não fechou as portas do ventre de minha mãe, nem escondeu dos meus olhos o sofrimento. |
| 11. Por que não morri eu na madre? Por que não expirei ao sair dela? |
| 12. Por que houve regaço que me acolhesse? E por que peitos, para que eu mamasse? |
| 13. Porque já agora repousaria tranquilo; dormiria, e, então, haveria para mim descanso, |
| 14. com os reis e conselheiros da terra que para si edificaram mausoléus; |
| 15. ou com os príncipes que tinham ouro e encheram de prata as suas casas; |
| 16. ou, como aborto oculto, eu não existiria, como crianças que nunca viram a luz. |
| 17. Ali, os maus cessam de perturbar, e, ali, repousam os cansados. |
| 18. Ali, os presos juntamente repousam e não ouvem a voz do feitor. |
| 19. Ali, está tanto o pequeno como o grande e o servo livre de seu senhor. |
| 20. Por que se concede luz ao miserável e vida aos amargurados de ânimo, |
| 21. que esperam a morte, e ela não vem? Eles cavam em procura dela mais do que tesouros ocultos. |
| 22. Eles se regozijariam por um túmulo e exultariam se achassem a sepultura. |
| 23. Por que se concede luz ao homem, cujo caminho é oculto, e a quem Deus cercou de todos os lados? |
| 24. Por que em vez do meu pão me vêm gemidos, e os meus lamentos se derramam como água? |
| 25. Aquilo que temo me sobrevém, e o que receio me acontece. |
| 26. Não tenho descanso, nem sossego, nem repouso, e já me vem grande perturbação. |
Almeida Revista e Atualizada: 153 de 324 dias